Incorporando a Linguagem Hipnótica na Psicoterapia

Vamos começar oferecendo três palavras comuns. Ao ler cada palavra, faça uma pausa por um segundo e veja o que lhe vem à mente.

A primeira palavra é Reflexão

Talvez algo do passado venha à mente, ou talvez nada.

Agora, a segunda palavra é imaginar

A terceira palavra é história

Uma ou mais dessas palavras podem ter estimulado uma memória, sentimento, associação ou a lembrança, que poderiam ser utilizadas em terapia. Seja qual for o caso, essas palavras, são exemplos do que chamamos de “palavras poderosas”.

O uso de palavras como admirar ou explorar, juntamente com truques, aposição de opostos e o vínculo de alternativas comparáveis ​​é muito proposital, pois podem constituir a pedra angular de uma terapia bem-sucedida.

Truísmo

Um truísmo é um termo bastante auto evidente. Ele descreve uma realidade insólita e é usado para estabelecer um sim definido na terapia, para que sua sugestão ou diretiva possa ser aceita pelo cliente. Por exemplo: “até agora, você pegou este livro e começou a ler este capítulo … e agora pode continuar com o capítulo 1”.

Aposição de opostos

Essa justaposição de termos opostos – para cima e para baixo, leve e pesada, formigamento e dormência – serve para configurar sua eventual sugestão ou diretiva.

Isso decorre naturalmente de um truísmo, e algumas pessoas experimentam um sentimento de admiração ao ouvir esse tipo de linguagem hipnótica. Por exemplo: “Agora, algumas pessoas começam na frente do livro e terminam na parte de trás, preferindo o início ao fim…”

Ligação de alternativas comparáveis

Com um vínculo de alternativas comparáveis, você diz essencialmente a mesma coisa, mas de maneiras diferentes, e isso pode concluir a configuração: “Talvez palavras como admirar ou imaginar estimulem algo curioso, possivelmente algo interessante ou simplesmente um sentimento de diversão por dentro.”

Sugestão ou diretiva

Isso pode ser feito de várias maneiras diferentes. Na hipnose formal, uma sugestão pode ser precedida por “palavras de poder”, que configuram a forma mais versátil de sugestão, implicação, na qual a palavra operativa é quando: “E eu me pergunto, ou imagino, quão profundamente e confortavelmente você pode entrar em transe, o que pode ser como uma entrada em outro estado … e quando sua mente inconsciente tiver selecionado alguma força ou recurso do passado, você encontrará sua cabeça balançando de maneira imperceptível…” Na psicoterapia convencional, podemos desejar envolver suavemente a implicação com uma variedade de palavras de poder: “…e, a partir de agora, podemos começar a explorar como você se adaptou à ansiedade em sua vida e, quando uma perspectiva interessante ou curiosa vier à mente durante a nossa sessão de hoje, você poderá descobrir que pode compartilhá-la comigo à medida que surgir, percebendo apreciar como novas informações podem lançar luz importante sobre um assunto familiar.”

Esta parte acima foi descrita no livro “Hypnotic Techniques” for Standard Psychoterapy and Formal Hypnosis, por George Gafner e Sonja Benson. Este livro eu comprei há muitos anos atrás quando eu morava nos E.U.A. e estava pensando em estudar Hipnose por lá, e dentre todos os livros que adquiri, ainda não consegui ler por inteiro este livro de 397 páginas. Mesmo me especializando em hipnose não verbal, na minha opinião, entender e estudar linguagem hipnótica é extremamente necessária em todos sentidos. Engana-se aquele que imagina que a hipnose não verbal somente envolve padrões não verbais, pois toda e qualquer comunicação dentro da terapia irá englobar aquilo que você antecipa na sua explicação ou condução terapêutica.

Podemos imaginar que a linguagem hipnótica seria como se estivéssemos preparando o terreno para poder semear e depois ter uma colheita mais proveitosa. Toda e qualquer forma de comunicação se tornará mais assertiva na compreensão dos modelos já estudados e praticados. Existe uma arte por trás da boa comunicação, aquela que irá cativar sua audiência e que irá fascinar seu cliente. Por isto, é muito importante adquirir uma habilidade de observação em primeiro lugar, onde sua comunicação e linguagem irão de encontro com as diversas formas de demonstrações não verbais, como gestos, expressões, tons de voz…

Calibrando os aspectos apresentados tanto do interlocutor quanto daquele que assiste, obteremos uma forma de rapport mais rápida e com isto resultados positivos daquilo que esperávamos desenvolver durante o processo terapêutico.

Não podemos deixar de citar Milton H. Erickson que transformou o meio da hipnose e psicoterapia por construir em seus pacientes força, e influenciava sutilmente a mudança de comportamento com técnicas que ficaram conhecidas como: utilização, reformulação e indireção.

A hipnose indireta ou Ericksoniana é um método sutil e respeitoso que utiliza a linguagem corporal, histórias, metáforas e outras técnicas hipnóticas para melhorar os resultados dos pacientes.

Erickson defendeu a hipnose indireta como uma alternativa mais ética e eficaz para situações clínicas do que a hipnose direta.

Aos 17 anos, Erickson ficou paralisado de pólio. Enquanto estava de cama, ele não podia fazer nada além de mover os olhos e ouvir, então, a partir dessa experiência, sem conseguir se movimentar, ele começou a perceber entre seus familiares a linguagem corporal e o comportamento indireto.

Em 1973, um ex-aluno, Jay Haley, publicou Uncommon Therapy, fazendo com que Erickson se tornasse famoso para o resto do mundo. Ele começou a oferecer seminários para ensinar os princípios da hipnoterapia ericksoniana, até sua morte em 1980.

Dentro desta perspectiva de linguagem hipnótica, devemos considerar que tudo que é antecipado pelo terapeuta irá influenciar de forma direta ou indireta no caminho a ser percorrido ou na permissividade de seu cliente. Incluindo-se as metáforas e estórias contadas para auxiliar na compreensão de um problema específico ou na ressignificação apropriada ao caso da pessoa em terapia.

Para os interessados em entrar neste mundo maravilhoso da Hipnose, aconselho a buscar compreender todas as técnicas para poder criar sua própria linha de trabalho. Devemos entender que o estudo é fundamental, mas sem a prática irá se tornar quase nulo a compreensão plena dos resultados que podemos alcançar em um trabalho terapêutico.

Leila Mahfud

Parapsicóloga, Hipnoterapeuta e Mesmerismus Trainer

 

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